domingo, 11 de julho de 2010

Efeito do Dimebon sobre Cognição, Atividades de Vida Diária, Comportamento e Função Global em Pacientes com Doença de Alzheimer Leve a Moderada: um estudo placebo-controlado, randomizado e duplo-cego


Effect of dimebon on cognition, activies of daily living, behavior, and global function in patients with mild-to-moderate Alzheimer s disease: a randomized, doble-blind, placebo-controlled study
Rachelle S Doody, Svetlana I Gavrilova, Mary Sano, Ronald G Thomas, Paul S Aisen, Sergey O Bachurin, Lynn Seely, David Hung
Lancet Vol 372, July 19,2008.
O tratamento mais usado para Doença de Alzheimer (DA) leve a moderada são os anticolinesterásicos, que estabilizam ou lentificam a deterioração cognitiva e funcional dos portadores. No entanto, continua a busca por um tratamento medicamentoso mais efetivo para essa doença neurodegenerativa. O dimebon foi uma droga utilizada há muitos anos como anti-histamínico não-seletivo, antes de agentes seletivos serem desenvolvidos, quando foi retirado do mercado. Recentemente, descobriu-se que o dimebon é inibidor fraco de butirilcolinesterase e acetilcolinesterase e antagonista fraco do receptor NMDA, além de inibidor da permeabilidade mitocondrial. Foram mostrados efeitos neuroprotetores em modelos de DA.
Este estudo randomizado, duplo-cego, placebo-controlado foi realizado em 11 centros na Rússia. Foram incluídos 183 pacientes com diagnóstico de DA leve a moderada pelos critérios do DSM IV e NINCDS-ADRDA, com MEEM entre 10 e 24 e escala de Hachinski modificada menor ou igual a 4. Pacientes em uso de inibidores da colinesterase ou antagonistas do NMDA há mais de 60 dias foram excluídos.
Os pacientes foram randomizados e 89 receberam dimebon 10mg 3x/dia VO por 7 dias, seguido de 20mg 3x/dia por 26 semanas, enquanto 94 receberam placebo.Os  grupos do dimebon e do placebo eram semelhantes entre si em relação a idade média (68 anos), escolaridade (12,5 anos), tempo de doença (5 anos) e MEEM (18). Foram avaliados do ponto de vista cognitivo, funcional e comportamental através de várias escalas (ADAS-cog, MEEM, NPI, ADCLS-ADL, CIBIC-plus) no início do estudo, após 12 semanas e após 26 semanas. Todas as áreas avaliadas apresentaram melhora estatisticamente significativa ao longo do tempo no grupo que recebeu a droga. No grupo placebo houve deterioração clínica em relação à linha de base.
O tratamento com dimebon resultou em benefício significativo no ADAS-cog comparado com o placebo, com melhores resultados na 26ª (diferença de -4,0 [95% IC – 5,73 a -2,28]; p < 0,0001) do que na 12ª semana.  Esse efeito não parece ser secundário a piora do grupo placebo, uma vez que observamos melhora do ADAS-cog também em relação à linha de base (-1,9 [95% IC – 2,92 a -0,85 ]; p < 0,0005). O dimebon foi bem tolerado e parece ser uma droga segura. Os efeitos colaterais mais comuns foram: boca seca e humor deprimido (ambos em 14% dos pacientes).
Mais pesquisas são necessárias para definir a eficácia desse medicamento em comparação aos tratamentos já estabelecidos de DA.

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