domingo, 11 de julho de 2010

Tratamento do transtorno cognitivo leve em centros de doença de Alzheimer na Califórnia

O transtorno cognitivo leve (TCL) é uma síndrome cognitiva comum que acomete cerca de 19% dos indivíduos maiores de 65 anos. Estes indivíduos tem de 3 a 5 vezes mais chance de desenvolver Doença de Alzheimer (DA) quando comparados àqueles idosos com cognição normal e apresentam maior mortalidade geral. O órgão que controla as patentes de medicamentos nos EUA não aprovou nenhuma medicação específica para o tratamento desta síndrome até o momento. Alguns estudos sugerem que o uso de estatinas e alguns antioxidantes poderia ser útil na prevenção do TCL e mostraram a associação com o aumento da homocisteína e a diminuição do ácido fólico.
O objetivo deste estudo foi verificar o estado da arte do tratamento dos pacientes com TCL e determinar as características dos pacientes em uso de algumas medicações (anti-DA, estatina, antioxidantes e ácido fólico).
MÉTODOS: o desenho do estudo foi transversal. Participaram 578 pacientes com TCL do departamento de saúde pública de centros de pesquisa da Doença de Alzheimer na Califórnia. Para a coleta de dados, foi utilizado o Minimum Uniform Data Set (MUDS), que relaciona dados demográficos (idade, sexo, raça, escolaridade), diagnósticos, história médica, exame neurológico, avaliação neuropsicológica e uso de medicações. Foram incluídos no estudo todos os pacientes avaliados com TCL entre julho de 2006 e abril de 2008. O TCL foi subdividido em forma amnéstica e não-amnéstica. A disfunção neurocognitiva foi avaliada segundo os critérios sugeridos por Petersen e colaboradores. A avaliação funcional foi feita através da Blessed-Roth Dementia Rating Scale (BRDRS). A cognição foi avaliada pelo Mini-Mental de Folstein. As drogas prescritas a esses pacientes foram: anti-DA (memantina, donepezil, galantamina e rivastigmina), antioxidantes (vitamina E, ácido ascórbico, coenzima Q10) e estatinas (lovastatina, pravastatina, sinvastatina, fluvastatina, atorvastatina, rosuvastatina). Modelos de regressão logística foram utilizados para determinar as características associadas aos pacientes em uso dessas medicações.
RESULTADOS:
- 166 pacientes (28,7%) estavam tomando medicamentos anti-AD; eram os indivíduos mais velhos, com maior incapacidade funcional, ensino superior e TCL subtipo amnéstico.
- 252 pacientes (43,6%) estavam tomando estatinas; seu uso foi associado a diabetes mellitus, hipertensão, infarto do miocárdio, sexo masculino.
- 115 pacientes (19,9%) estavam tomando antioxidantes; seu uso foi associado a maior escolaridade e diabetes mellitus.
- 37 pacientes (6,4%) estavam tomando ácido fólico; seu uso foi associado a raçã (não-brancos), sexo masculino e maior incapacidade funcional.
DISCUSSÃO: nenhum estudo até o momento mostrou que os inibidores da acetilcolinesterase melhoram os sintomas ou retardam a progressão do TCL para DA. Pelo que se sabe, a memantina não tem benefício no TCL. Por isso, as drogas anti-DA devem ser utilizadas somente em indivíduos com diagnóstico de demência -- o que subentende prejuízo da funcionalidade e de memória, diferente do que acontece no TCL, onde não há prejuízo funcional evidente.
As estatinas são drogas úteis para os pacientes com dislipidemia e doença cardiovascular mas não há evidência conclusiva até o momento de seus benefícios no TCL. Estudos mostram que a vitamina E aumenta o risco de falência cardíaca e da mortalidade geral e não tem benefícios no TCL. O ácido fólico não é suficiente para prevenir a progressão da disfunção cognitiva.
Limitação deste estudo: alguns pacientes poderiam ter demência em fase inicial e não apenas TCL, em função da dificuldade dessa distinção diagnóstica em alguns casos.
CONCLUSÃO: o estudo sugere que pacientes com TCL são frequentemente tratados com inibidores da colinesterase e memantina apesar de essas drogas não estarem liberadas para uso nessa doença.

Nenhum comentário: