domingo, 11 de julho de 2010

Risco de Fratura após Hospitalização em Idosos

Risco de Fratura após Hospitalização em Idosos
The Risk of Fracture Following Hospitalization in Older Women and Men
Rebekah L. Gardner, MD; Fran Harris, MS; Eric Vittinghoff, PhD; Steven R. Cummings, MD
Arch Intern Med. 2008;168(15):1671-1677.
Hospitalização pode ser causa de perda de massa óssea, piora da função física e instalação de dependência para as atividades de vida diária (AVD). Porém o risco de fraturas após hospitalização ainda não foi avaliado. A hipótese deste estudo é que múltiplas internações e o tempo longo de permanência no hospital aumentam o risco de fratura de quadril e de outras fraturas após a alta.
Consiste em um estudo prospectivo com uma grande coorte de 3075 idosos saudáveis de ambos os sexos, de 70 a 79 anos de idade, recrutados na comunidade. Os indivíduos não poderiam apresentar dificuldade para caminhar, subir escadas, dependência para AVD ou história de neoplasia nos últimos 3 anos. Os idosos foram avaliados através de história médica completa e inventário medicamentoso e em seguida entrevistados periodicamente a fim de detectar a ocorrência de fraturas e hospitalizações. O relato de internação era confirmado por uma revisão da documentação médica e o de fratura era confirmado por exames radiológicos. Foram excluídas fraturas decorrentes de traumas graves (acidentes automobilísticos), fraturas patológicas e casos duvidosos. No grupo hospitalizado, somente foram incluídas as fraturas que ocorreram após a internação.
Um total de 2030 participantes tiveram 5680 internações durante os 6,6 anos de acompanhamento, com a duração média de permanência de 4 dias. Os fatores mais associados ao grupo que sofreu hospitalização foram: idade, sexo masculino, fumo, diabetes mellitus e doença cardiovascular. Não houve diferença significativa na densidade óssea do colo de fêmur entre os dois grupos. Foram confirmadas fraturas após alta hospitalar em 285 idosos (9,3%). O tempo médio entre a alta e a ocorrência da fratura foi de 323 dias. Após ajuste para idade, sexo e raça, qualquer hospitalização dobrou o risco de fraturas, e esse risco aumenta com o número de vezes que o paciente foi internado.  O risco relativo de qualquer fratura é de 1,45 após 1 internação, aumenta para 2,02 após 2 internações, e passa para 3,65 após 3 ou mais hospitalizações. O resultado é similar quando se avalia fraturas de quadril. A atenuação do risco é apenas modesta quando se ajusta para todos os outros potenciais fatores de confundimento (fraturas prévias, uso de medicamentos, história familiar, função cognitiva e capacidade física). Adicionando medidas de função neuromuscular ao modelo, também ocorre apenas atenuação leve da associação entre hospitalização e risco de fratura.
Devido ao conhecimento prévio do alto risco de fraturas após AVC, as internações por essa causa foram excluídas, porém isso não modificou a magnitude da associação encontrada. Comparando com sujeitos não hospitalizados, o risco relativo de qualquer fratura foi de 2,60 para 3 ou mais dias de internação, e 1,68 para pacientes internados por menos tempo. Pode-se estimar que uma mulher branca entre 70 e 79 anos sem hospitalização nos últimos 6 anos tenha um risco absoluto de fratura de 2,5% ao ano. Esse risco aumenta para 4% com 1 hospitalização e para 7,2% após 3 hospitalizações. O risco absoluto é mais baixo em mulheres negras e homens. Entretanto, há tão poucas fraturas nesses grupos que não se consegue uma estimativa precisa. A chance de fratura após uma hospitalização é bem maior logo após a alta, e declina com o passar do tempo: 3,4% de risco no primeiro ano, 1,1% no segundo ano e 0,7% após 3 anos.
Esse é o primeiro estudo que associa internação hospitalar não relacionada com AVC a risco de fratura. É difícil avaliar se a hospitalização por si só realmente aumenta o risco de fratura ou se funciona como um marcador de deterioração da função neuromuscular e fragilidade, o que aumentaria secundariamente esse risco. Ainda assim, o estudo identifica um grupo de risco para fraturas e oferece a oportunidade de intervenção nessa população a fim de reduzir esse risco. 

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